Investimento de múltis deve chegar a US$ 70 bi – O Estado de S. Paulo

Estimativa de resultado recorde dos investimentos estrangeiros em produção no País este ano é de Aldo Mendes, diretor do Banco Central

O Brasil deve bater novo recorde na atração de dólares destinados à produção. Estimativa não oficial apresentada ontem pelo diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Luiz Mendes, mostra que US$ 70 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) devem ingressar em 2011. A previsão oficial, que será atualizada no fim do mês, ainda está em US$ 55 bilhões. Se confirmada, a nova cifra representa salto de 44,5% em relação ao resultado do ano passado.

Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, Mendes comentou que o fluxo de dólares para o Brasil segue forte e, com base na evolução recente da entrada de recursos, o investimento produtivo deverá ter nova marca histórica. Se confirmado, o resultado será o segundo recorde seguido, já que a atual marca é de 2010 quando o Brasil recebeu US$ 48,4 bilhões em IED.

O aumento da previsão não surpreende o diretor presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima. Para ele, a estimativa do BC estava “conservadora”. A entidade que estuda os efeitos da globalização no Brasil prevê que US$ 65 bilhões em investimentos produtivos ingressem em 2011.

Tantos dólares têm sido atraídos especialmente por dois fatores: perspectivas de contínua expansão do mercado interno trazem recursos para o setor de serviços e os projetos do pré-sal atraem dólares para o segmento de petróleo e gás.

Real forte. “Além do aumento de renda real dos brasileiros, o câmbio valorizado também aumenta esse valor em termos relativos e, portanto, o setor de serviços tem um apelo especial para ingressar ao Brasil”, diz Lima.

Alinhado com essa leitura, dados do próprio BC mostram que o setor de telecomunicações lidera os investimentos em 2011, com 14,4% dos mais de US$ 38 bilhões que entraram entre janeiro e julho. Ou seja, companhias como operadores de telefonia trouxeram US$ 5,9 bilhões. O número mostra uma reviravolta já que em 2010 o setor foi responsável por apenas 1,3% do IED.

Pelos mesmos motivos, o segmento de comércio foi responsável pela entrada de US$ 3,4 bilhões, companhias de eletricidade trouxeram US$ 2,8 bilhões e entidades financeiras transferiram outros US$ 2 bilhões.

De olho no pré-sal, o setor de petróleo e gás é o outro destaque na atração de recursos. Nos sete primeiros meses do ano, o segmento trouxe US$ 4,7 bilhões ou 11,5% de todos os dólares para investimentos produtivos.

O diretor presidente da Sobeet destaca ainda que é possível observar o peso cada vez maior de países considerados “não tradicionais” na origem desses investimentos. “Historicamente, os EUA, Europa e Japão eram a fonte dos recursos. Mas é cada vez mais forte a presença de países asiáticos, em especial China e Coreia do Sul, e outros emergentes como o México.”

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