Freio na indústria deve afetar commodities – Valor Econômico

A produção industrial está desacelerando da China à Europa, tendência que deve pressionar para baixo os preços das commodities e pode conter uma nova rodada de alta nas taxas de juros.

Em junho, a atividade industrial chinesa cresceu ao ritmo mais lento desde fevereiro de 2009. Já na zona do euro, o ritmo foi o menor em 18 meses. A produção alemã expandiu-se ao ritmo mais fraco em 17 meses. A freada repetiu-se no Reino Unido e na Índia. Itália, Irlanda, Espanha e Grécia apresentaram contração na indústria.

“Há uma ampla desaceleração ocorrendo no setor manufatureiro”, disse Silvio Peruzzo, economista do Royal Bank of Scotland, em Londres. “Mas ainda é cedo demais para concluirmos que estamos na direção de um cenário em que a atividade irá se contrair.”

A exceção ficou por conta dos EUA. O índice ISM acelerou em junho, indo de 53,5 para 55,3. Isso indica que a indústria americana está se recuperando da escassez de partes e componentes importados do Japão, provocada pelo terremoto e tsunami de março.

A Federação Chinesa de Logística e Compras informou que o seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) ficou em 50,9 em junho – contra 52 em maio (qualquer número acima de 50 significa expansão do setor). A produção industrial, que responde por aproximadamente metade da economia chinesa, está esfriando por conta de políticas governamentais para conter a demanda por imóveis e carros, do racionamento de energia e de restrições ao crédito.

O PMI para a indústria da zona do euro, calculado pelo instituto de pesquisas Markit, caiu para 52,0 em junho, o menor nível em um ano e meio. Em maio, o PMI da região havia ficado em 54,6.

Em reação à desaceleração na produção, especialmente na China – o país é o maior consumidor de energia do mundo -, os preços de várias commodities caíram na sexta-feira. O petróleo caiu pela primeira vez em quadro dias. “O índice chinês é economicamente baixista e isso explica parte das vendas de hoje [sexta], já que os preços vinham subindo”, disse Jason Schenker, presidente da Prestige Economics, em Austin (EUA).

O índice GSCI da Standard & Poor’s de 24 commodities caiu 0,7%. Catorze das commodities caíram, nove subiram e uma ficou estável.

“Estou ouvindo de fundos hedge que há potencial para grande onda de vendas nas commodities. No mínimo, eles terão de começar a negociar com base mais em fundamentos de oferta e demanda e menos em fatores externos”, disse Richard Ilczyszyn, estrategista-sênior da Lind-Waldock, de Chicago.

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