Dilma estreia quarta-feira em cúpula do Mercosul – O Estado de S. Paulo

Paraguai, anfitrião do encontro que será aberto nesta terça-feira pelos ministros,e Uruguai vão reclamar de barreiras comerciais dos sócios grandes

BUENOS AIRES – A quadragésima primeira Cúpula do Mercosul começa nesta terça-feira, 28, em Assunção, Paraguai, quando ministros dos países sócios sentarão à mesa de discussões para avaliar o andamento do bloco comercial do Cone Sul, criado há 20 anos. A reunião de presidentes, que será nesta quarta, contará com a presença da presidente Dilma Rousseff, que debutará em sua primeira cúpula do Mercosul.

A cúpula será o primeiro encontro tête-à-tête entre Dilma e a presidente Cristina Kirchner desde que surgiu o conflito comercial bilateral Brasil-Argentina no início de maio, transformando-se no pior confronto entre os dois países desde a “Guerra das Geladeiras” em 2004.

O estopim da crise foi uma série de medidas protecionistas argentinas aplicada a partir de fevereiro. O Brasil, a modo de retaliação, reagiu em maio com a aplicação de licenças não automáticas contra a entrada de automóveis de todo o mundo, inclusive da Argentina. Semanas depois, os dois governos conseguiram colocar panos quentes na crescente tensão e permitiram uma flexibilização nas barreiras mútuas.

Nos últimos dias os dois governos sustentaram que a situação nas alfândegas está sob controle e que o clima é de paz.

Protestos. No entanto, os governos do Brasil e da Argentina deverão ouvir as reclamações dos sócios pequenos – isto é, o Uruguai e o Paraguai – que protestam contra uma série de barreiras do mais amplo leque que afetam as exportações de seus produtos para os mercados argentino e brasileiro.

Segundo fontes uruguaias, o presidente José “Pepe” Mujica aproveitaria o encontro para reclamar da ausência de um “diálogo profundo e sincero”. As fontes indicam que o governo uruguaio considera que “há alguns anos não existe no bloco esse tipo de diálogo, sequer entre presidentes ou chanceleres”.

A sensação em Montevidéu é que o bloco do Cone Sul ficou “esvaziado” de “conteúdos relevantes”. O Uruguai assumirá nesta semana a presidência pro-tempore do Mercosul.

A cúpula também será o cenário hoje da primeira reunião formal de ministros da Indústria e Produção dos países do Mercosul. Segundo os participantes, os ministros “aprofundarão uma agenda produtiva” do bloco.

Enquanto isso, os técnicos dos países-sócios reunidos em Assunção tentarão aprofundar a coordenação macroeconômica por intermédio da criação de grupos de trabalho destinados a assuntos tributários, fiscais, monetários, financeiros e de balança de pagamentos.

Os argentinos pretendem aproveitar esta cúpula para discutir com os brasileiros a definição de incentivos fiscais, com o objetivo de identificar os produtos que poderiam estar sendo favorecidos por subsídios ou políticas fiscais que poderiam causar as denominadas assimetrias.

Além disso, segundo Luis Maria Kreckler, secretário de Comércio e Relações Econômicas Internacionais da Chancelaria argentina, será criado um grupo de trabalho para resolver as assimetrias econômicas existentes.

Candidatos. Cristina Kirchner usará a cúpula para obter o respaldo dos colegas à sua reeleição presidencial em outubro. Cristina oficializou sua candidatura na quarta-feira passada. Mas, somente no sábado à noite anunciou que seu vice será o atual ministro da Economia, Amado Boudou, um ex-neoliberal que converteu-se à causa do governo Kirchner de interferência estatal na economia. Durante a cúpula Cristina apresentará seu candidato a vice aos presidentes dos países do Mercosul.

Bolivarianos. Além dos presidentes do Mercosul em Assunção espera-se a a presença do presidente do Equador, Rafael Correa, que há poucos dias confirmou sua viagem ao Paraguai. Mas, o presidente venezuelano Hugo Chávez, não participa desta vez, já que está internado em Cuba, onde, segundo o chanceler venezuelano, protagoniza “uma batalha por sua vida”.

Fora do eixo bolivariano, também participará da reunião do Mercosul o chanceler japonês, Takeaki Matsumoto, na categoria de convidado especial.

O governo paraguaio preparou um forte esquema de segurança para proteger os integrantes da cúpula. Mais de mil militares, além de outros dois mil policiais, vão participar da operação na área do evento e em pontos estratégicos de Assunção.

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