Crise global pode reduzir os embarques em 2012 – Valor Econômico

O agravamento do quadro macroeconômico mundial poderá ter impacto sobre as exportações brasileiras de minério de ferro, com efeito principalmente sobre os embarques previstos para 2012. A desaceleração das economias americana e europeia se combina ao desaquecimento da China, que deverá reduzir seu ritmo de expansão em 2012 e 2013. Para este ano, o economista-chefe e sócio diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, estima que as exportações da commodity possam somar US$ 39 bilhões, mas em 2012 esse número, dependendo da intensidade e dos impactos da crise, poderá cair para uma faixa entre US$ 30 bilhões e US$ 35 bilhões.

“Em 2012 os preços podem ter queda de 5% a 10% ou mais. Estamos no meio do tiroteio, não temos ainda ideia de como será o agravamento da crise, portanto não pode ser descartado um cenário de crescimento zero nos países desenvolvidos, o que poderia ter impacto sobre a China”, avalia.

A maior força do mercado de minério é a China, que responde por cerca de 60% das compras do metal no mundo e por cerca de 10% do PIB mundial. EUA e Europa detêm 15% do mercado do produto – em 2002 representavam 32%, segundo o Barclays. Mas o gigante asiático já vem reduzindo o ritmo de sua economia, com alta dos juros para atenuar as pressões inflacionárias, e poderá sofrer o impacto de maior desaceleração dos EUA e da Europa, grandes importadores. Analistas internacionais estimam que o PIB chinês cresça cerca de 9% neste ano e possa se expandir na casa dos 8% em 2012.

De janeiro a agosto, as exportações de minério e concentrados somaram US$ 26,6 bilhões, alta de 66% sobre os US$ 16 bilhões de janeiro a agosto de 2010, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento (MDIC), reforçando sua posição como produto mais vendido pelo país ao exterior. O segundo bem mais comercializado é o petróleo bruto, que até agosto respondeu por US$ 14,4 bilhões das vendas externas. O bom desempenho fez a Vale, maior exportadora de minério, novamente liderar a lista, com embarques de US$ 22 bilhões no período, bem acima dos US$ 16 bilhões comercializados pela Petrobras.

O minério de ferro tem aumentado sua participação na balança comercial, acompanhando tanto a maior inserção e produção da Vale no mercado externo quanto a alta dos preços. Em 2006, os embarques lideraram a lista de produtos mais vendidos ao exterior pelo Brasil, somando US$ 9 bilhões, alta de 22% em relação ao ano anterior, segundo o MDIC. O metal respondeu naquele ano por 6,5% das exportações, que atingiram US$ 137 bilhões. Essa participação mais do que dobrou em cinco anos: até agosto de 2011, o minério respondeu por 16% do total de US$ 166,7 bilhões exportados pelo país.

Apesar das incertezas da economia mundial, o setor não prevê um cenário de profunda recessão global, como visto em 2009, quando os preços e os embarques despencaram. “O momento é complexo, com EUA e Europa em crise, os emergentes preocupados com a inflação, o que pode fazer a China a reduzir o crescimento com alta dos juros, e questões políticas no Oriente Médio e no norte da África”, diz Ronaldo Valiño, líder de mineração e siderurgia da PwC Brasil. “Mas não vejo um cenário como o de 2009, em que houve grande queda dos preços”, diz.

“No cenário base, acho pouco provável que a crise no Atlântico Norte seja suficientemente intensa para prejudicar os investimentos na mineração de ferro brasileira, que visam a atender principalmente ao crescente mercado asiático”, afirma o professor Germano Mendes, da Universidade Federal de Uberlândia. Segundo ele, na crise de 2008, a ociosidade da siderurgia mundial cresceu de 11% em junho para 21% em setembro. “Esse mesmo índice cresceu de 18% em abril de 2011 para 20% em julho de 2011, o que mostra a menor intensidade da crise e ajuda a explicar a relativa robustez dos preços spot do minério de ferro”, analisa Mendes.

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