Bolsas caem por dados dos EUA e alerta de recessão – O Globo

RIO e NOVA YORK. Os mercados internacionais foram esmagados ontem por uma bateria de indicadores ruins nos Estados Unidos e uma nova onda de pessimismo sobre o crescimento da economia mundial. O Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), fechou em queda de 3,52%, aos 53.134 pontos, na maior baixa desde o último dia 8, o primeiro dia útil após o rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela Standard & Poor”s (S&P). Pela manhã, o índice chegou a recuar 5,13%. Em Wall Street, as perdas também foram intensas: o Dow Jones, prinicpal índice da Bolsa de Nova York, recuou 3,68%, e o Nasdaq, 5,22%.Segundo operadores, investidores estrangeiros lideraram as vendas na Bovespa, que chegou a recuar 5,13% pela manhã. Eles buscaram aplicações consideradas mais seguras, como ouro e títulos do Tesouro americano, que registraram recordes. O dólar comercial avançou 0,88%, a R$1,599, acompanhando a valorização global da moeda americana.
Pela manhã, surgiram temores sobre a situação financeira de bancos europeus com filiais nos EUA, depois de o diário de negócios “Wall Street Journal” ter noticiado que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) estava pedindo informações adicionais sobre essas instituições. O Fed negou. Mas, na França, as ações do Société Générale despencaram 12,3%, e as do Crédit Agricole, 7,29%. Fecharam em queda as bolsas de Londres (4,49%), Paris (5,48%) e Frankfurt (5,82%). Milão tombou 6,15% e acumula a maior perda no mercado mundial: 27,10%.
EUA e zona do euro estão perto de recessão, diz banco
Agravando a situação, o banco de investimentos Morgan Stanley afirmou em relatório que os EUA e a zona do euro estão “perigosamente perto de uma recessão – definida como dois trimestres consecutivos de retração na economia – dentro dos próximos 6 a 12 meses”. A projeção de crescimento para a economia global foi reduzida de 4,2% para 3,9% este ano e de 4,5% para 3,8% em 2012. O banco citou a “resposta insuficiente” da Europa à crise da dívida e o “drama da elevação do teto de endividamento nos EUA”.
– O mercado deu uma respirada nos últimos dias, em meio a ações baratas, e agora voltou ao que podemos chamar de normalidade, ou seja, tendência de perdas – afirma Luis Gustavo Pereira, da Um Investimentos.
Dados dos EUA também desanimaram. O número de pedidos iniciais de seguro-desemprego aumentou em 9 mil na semana passada, para 408 mil. Analistas esperavam avanço de 5 mil. Já o indicador da atividade industrial do Fed na região de Filadélfia despencou de 3,2 (positivo) em julho para 30,7 negativos este mês, o pior nível desde março de 2009. Uma leitura negativa indica retração na indústria. Além disso, o índice de preços ao consumidor subiu 0,5% em julho frente ao mês anterior, a maior alta desde março. Economistas projetavam alta de 0,2%.
– O clima era muito negativo e ficou ainda pior com indicadores ruins nos EUA. Houve uma combinação perversa de notícias negativas – diz Mauro Schneider, economista-chefe da corretora Banif.
Entre os 66 papéis que compõem o Ibovespa, 59 registraram perdas. E os que puxaram a queda foram justamente os de maior peso: Vale e Petrobras. As ações preferenciais (PN, sem voto) da mineradora recuaram 4,96%, para R$38,30. Os papéis PN da Petrobras caíram 2,73%, a R$20,30. O maior tombo foi das ações da Marfrig, que recuaram 8,02%, a R$ 8,37.
No mercado cambial, a moeda americana chegou a avançar 1,77%, a R$1,613 pela manhã. �? tarde, a alta desacelerou e o dólar ficou abaixo de R$1,60, patamar que predominou ana semana passada.
– O mercado mudou de mão. Desde o início do ano, só tínhamos estrangeiros trazendo recursos para cá. Agora, o cenário externo está muito ruim – analisa Santos, acrescentando que agora é mais fácil apostar no dólar na casa de R$1,70 que na casa de R$1,50.
No exterior, o iene e o franco suíço, vistos como um porto seguro pelos investidores, não recuaram frente ao dólar. Ambas avançaram 0,1% em relação à moeda americana, para 76,65 ienes e 0,7907 franco, respectivamente. Já o dólar ganhou 0,7% frente ao euro, a US$1,4333. Além disso, o fato de a inflação americana ter ficado acima do projetado reduz a possibilidade de o Fed injetar liquidez na economia, enfraquecendo o dólar.

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