Tucuruí será navegável em 2014 – Netmarinha

Afinal, após 30 anos, foram inauguradas as eclusas da hidrelétrica de Turucuí, no Rio Tocantins. O mérito coube ao presidente Lula. Ele, que tanto alardeou inaugurações inexpressivas, pouco se envaideceu dessa importantíssima obra.

Quando a usina foi inaugurada, na década de 80, as autoridades do setor elétrico e as empreiteiras miravam apenas na geração de energia, a qualquer preço. Agora, com o passar do tempo, como reconhece o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, as coisas mudaram.

As usinas têm de criar um lago menor, para reduzir o efeito sobre pessoas, animais e plantas. Além disso, a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) exigem, respectivamente, respeito pela uso da água pela população e utilização dos rios como hidrovias – o meio mais barato e menos poluente de transporte.

Em recente pronunciamento, Tolmasquim falou nos novos compromissos na construção de hidrelétricas, mas de forma genérica. Referiu-se a recuperação de matas ciliares e parques de preservação ambiental, mas nada comentou sobre eclusas. Afinal, Belo Monte, no Rio Xingú e Santo Antonio e Juruá, no Rio Madeira, serão feitas sem eclusas.

Em vez de pressionar contra hidrelétricas, entidades como Greepeace e WWF deveriam lutar para que as barragens tivessem passagem para barcos (eclusas) e fossem feitas em coordenação com a ANA. Como o país só usou 1/3 do potencial hidrelétrico, o certo não é buscar outra fonte, mas fazer da usina a água a mais correta possível, para o ambiente, as pessoas e a navegação. Fontes federais revelam que, após as eclusas, o Rio Tocantins terá 900 km navegáveis.

No entanto, após as eclusas, há uma impedimento natural, que é o Pedral do Lourenço, área de entroncamento e obstáculos que terá de ser dinamitada.

O Governo anuncia que a licitação para se cumprir essa tarefa já foi lançada. Com isso, o Tocantins será navegável por 1.200 km, permitindo transporte de grãos do Centro-Oeste até Barcarena (PA).

Hoje, o Rio transporta de 6 milhões a 8 milhões de toneladas por ano e, com o fim das obras – das eclusas e do pedral – a capacidade total pulará para 70 milhões de toneladas. Se tudo correr bem, isso será realidade em 2014. Como obra chama obra, ainda ficarão faltando duas eclusas, para que se atinja Palmas (TO).

DRAGAGEM IDEAL

Thierry Dor, gerente da Dragabrás – empresa do grupo belga Deme – afirma que o ideal seria que as obras de dragagem só fossem contratadas após obtenção de licenças ambientais – não é isso que em geral ocorre e não foi o que se verificou nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Mesmo assim, o PAC propiciou dragagens históricas, como as de Santos, Rio e outros portos. Mas para as empresas de dragagem houve um amplo período de paralisação, à espera das licenças.

Mas Thierry revela que a dragagem ideal é aquela em que o material retirado de um rio é colocado em área próxima, onde correntes levam os dejetos para fora do local, de modo natural. Isso ocorre, por exemplo, no rio belga Scheldt, mas exige cautela, pois só pode ser feito em relação a pequenas quantidades e jamaisa pode se confundir com simples desídia.

Frisou que os contratos de cinco anos, para que uma empresa cuide de um porto são eficazes para as duas partes e sugeriu que, se possível, portos se unissem, para obter melhores condições da empresa de dragagem. O combustível representa de 20% a 25% do custo da operação e, por isso, em alguns países, impõe-se nos contratos um gatilho para atualização com base na cotação do petróleo. Nos casos de dragagem.

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