Brasil quer rever pauta comercial com a China – Valor Econômico

O comércio bilateral com a China, que cresceu mais de 1.600% em dez anos, tem problemas que não podem ser ignorados, sinalizou o embaixador brasileiro junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo em evento comemorando os dez anos da entrada da China na entidade.Azevedo listou preocupações que se refletem no debate interno sobre a China, sobretudo pelos setores mais diretamente afetados pela competitividade chinesa. Já o embaixador chinês na OMC, Yi Xaozhun,acenou com a duplicação das importações globais em cinco anos e com a multiplicação dos investimentos no exterior.
A inquietação brasileira é com a veloz taxa de crescimento das exportações chinesas, a penetração de seus produtos em segmentos tradicionalmente ocupados pela indústria nacional, concentração de exportações de commodities para a China e importações de produtos com valor agregado, além de investimentos chineses na agricultura e mineração no Brasil, com modelo de negócio orientado para a exportação para a China. A natureza legal das companhias chinesas que competem no mercado brasileiro também preocupa, já que são estatais e têm menores custos, o que é percebido como promoção de competição desleal.
Azevedo minimizou diplomaticamente as dificuldades. Segundo ele, quando há crescimento da magnitude da registrada no comércio bilateral – de US$ 3,3 bilhões para US$ 56,4 bilhões -, é natural que haja impacto em determinados setores e reclamações de lado a lado. Os chineses também reclamam das medidas antidumping sobre seus produtos.
O importante, na visão brasileira, é que os problemas não devem desencorajar, mas incentivar a busca mais rápida de soluções no comércio bilateral. Azevedo reiterou que o Brasil quer, junto com Pequim, encontrar maneiras de melhorar a composição da pauta de exportação para o mercado chinês, para evitar desequilíbrios e pressões em segmentos da indústria nacional.
A China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil, representando 15,2% das exportações do país e 14,1% das importações. De janeiro a maio, o saldo a favor do país alcançou US$ 3,6 bilhões, numa alta de 93% em relação ao mesmo período do ano passado. O saldo comercial em todo o ano de 2010 atingiu US$ 5,2 bilhões.

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