A papelada nos portos, por Elias Gedeon*

Não devem ser vistos como obstáculos intransponíveis as dificuldades iniciais de ajuste nos procedimentos do projeto Porto Sem Papel (PSP) em seus primeiros 15 dias de funcionamento em Santos, como passo pioneiro para a expansão do programa aos principais terminais nacionais.

Ajustes são inerentes a mudanças de procedimentos, sobretudo quando as alterações representam – por que não dizer – uma verdadeira revolução que tende a tornar a operação portuária mais ágil e eficiente, com ganhos para operadores, transportadores e empresas que atuam no comércio exterior.

Informa-se que, do dia 1º de agosto, quando o PSP foi inaugurado em Santos, até o dia 15, uma dúzia de alterações se fez necessária para que o sistema funcionasse a contento – o que teria gerado certa confusão e dúvidas aos usuários.

Nenhum programa dessa magnitude pode nascer pronto e acabado. Portanto, mesmo que nos deparemos, nessa fase intermediária, caracterizada pela ruptura entre um novo ambiente operacional, moderno e promissor, e o arcaico e oneroso mundo do “papelório”, com um resquício de burocracia, engendrada justamente pelas alterações de sistema, não devemos desanimar.

O caminho do futuro passa, necessariamente, por iniciativas como o Porto Sem Papel, que padroniza documentos, agiliza as informações por meio eletrônico e, consequentemente, elimina custos – esse mal que atua como uma poita a comprometer competitividade da cadeia produtiva nacional.

Os ganhos de eficiência previstos com o PSP são de até 30%, conforme consistentes projeções apresentadas pela Secretaria Especial dos Portos (SEP). O “preço” inicial desses ajustes deve ser visto, portanto, como um mal menor tendo em vista a importância do objetivo a ser alcançado. Desde, é claro, que todos os envolvidos, demonstrem destreza na rápida solução dos obstáculos, e na absorção da nova cultura.

Devemos ter em vista que, quanto mais rápido for a implantação de programas como o PSP, e a sua assimilação por todos os “atores” envolvidos, da Administração Pública aos diferentes segmentos do setor privado, melhor será o desempenho do país num momento em que a movimentação portuária volta a mostrar forte vigor.

Não custa lembrar que o volume de carga movimentado em 2010 nos terminais nacionais foi de 830 milhões de toneladas, ou seja, 100 milhões de toneladas a mais do que no ano anterior – um estimulante avanço de mais de 12% em apenas um ano.

A tendência, como sabemos, é a manutenção do crescimento em patamares similares nos próximos anos. Em uma década, esse movimento deve dobrar. Impossível sustentar esse desenvolvimento sem nos livrarmos da deletéria burocracia que ainda mina a eficiência brasileira, não apenas nos portos, como em todas as áreas.

Neste sentido, o Porto Sem Papel deve ser visto como um alento, razão pela qual devemos envidar nossos esforços para aperfeiçoá-lo a fim de que passe, de fato, a cumprir o seu relevante papel. Tenho certeza que conseguiremos.

* Diretor-Executivo do Centronave

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