Porto de Santos tem 11 novos práticos – A Tribuna

O Porto de Santos conta com 11 novos práticos, profissionais responsáveis pelas manobras dos navios dentro do canal de navegação. A seleção foi feita pela Marinha do Brasil. Com a habilitação dessa equipe, o complexo passa a ter 52 práticos e, em breve, vai ganhar mais um.

Há um concurso em andamento pela Autoridade Marítima, com uma vaga para a região. A primeira prova está marcada para este mês. Antes de começar a exercer a função, os novos práticos fizeram uma prova teórica. Depois, passaram por um rigoroso treinamento por cerca de um ano. Durante esse período, realizaram em torno de 700 manobras sob a supervisão de um prático já formado. Após essa fase, eles foram avaliados através de um exame prático a bordo de um navio.

Somente aposto do esse processo, obtiveram a qualificação. No Porto de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, também está prevista a chegada de mais 11 práticos. Nos próximos 18 meses, eles vão se adaptar às características do complexo, que opera com gigantes petroleiros, o que exige atenção extrema.

Um dos novos práticos habilitados para atuar em Santos é Bruno Roquete Tavares, de 34 anos. Oficial da Marinha Mercante desde 2000, o jovem, nascido no Rio de Janeiro, sempre almejou chegar ao posto de prático. Para isso, se dedicou aos estudos durante um ano. “Meu mercado de trabalho sempre teve contato com a praticagem. Toda vez que o navio entrava ou saia do porto, eu, como oficial de náutica, participava de manobra na popa (parte de trás) ou na proa (frente). Então ser prático é o top da minha profissão. É onde tenho que exercer tudo o que aprendi. Ser prático sempre foi o que eu visei no fina”, disse o rapaz, que precisou conciliar os estudos com a vida de oficial. “Quando teve o concurso, eu trabalhava embarcado. Eram 12 horas de trabalho por dia. Nas 12 de descanso, eu tentava dormir e estudar. Foi pesada a rotina”, completou.

Passada a fase dos estudos e da prova teórica, Bruno precisou passar por um treinamento prático rígido de pouco mais de um ano, acompanhando e depois realizando manobras no cais santista. “É no mínimo um ano de treinamento, pois temos que pegar todas as estações do ano, para ver todo tipo de vento, decorrente, de condições meteorológicas aqui do Porto”, explicou Bruno, que realizou 800 manobras, entre executadas e acompanhadas.

Entre as manobras executadas, o jovem lembrou de uma em especial, de emergência, quando um cargueiro “perdeu a máquina” (teve problemas no sistema de propulsão) quando estava saindo do canal. “É nesse momento quando se percebe como o prático é importante. Foi uma situação em que a tripulação em sificato da estressada, desesperada, e a única pessoa que pode tentar controlar a situação é o prático. Senti isso na pele”, afirmou. O ex-oficial destacou que a remuneração do prático é condizente com a responsabilidade da profissão: R$ 15 mil por mês.

“No Brasil, a Praticagem é responsável por sua infraestrutura. Funciona como se fosse uma empresa. Seno mês houve lucro, haverá divisão de lucros entre todos. Se houver prejuízo, todos tiram do bolso”, explicou o assessor da Praticagem de Santos, Marcos Jorge Matusevicius.

QUANTIDADE
O número de práticos a atuar em cada porto é definido pela Marinha. Essa determinação atende a uma série de critérios, que envolvem a necessidade do complexo e a realização de um número equilibrado de manobras, para evitar excesso de horas trabalhadas. Em Santos, cada prático executa em média350manobrasporano, sendo35pordia. Para os agentes de navegação, o número de práticos tem atendido a demanda de navios do cais santista.

“Nunca tivemos atraso por falta de práticos, mas sim por causa de manobras. Costumamos ter até três horas de atraso”, afirmou o encarregado de operações da Cargonave, Valdo Ribeiro. O gerente operacional da Cosco Brasil, Dorival Lara Bicudo, fez a mesma análise. “A quantidade de práticos tem atendido muito bem a demanda. O que causa transtorno, até mesmo financeiro aos armadores, são as manobras. Temos que aguardar bastante, já que é necessário seguir um regulamento de precaução de acidentes”, mencionou.

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